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Dose zero contra sarampo: por que ela não substitui as doses de 12 e 15 meses

A resposta ao sarampo em São Paulo trouxe de volta a dose zero, e com ela a confusão que mais tira criança do calendário. A dose zero soma, não substitui.

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Vinte e quatro casos no Brasil, todos ligados à importação

O Ministério da Saúde informou em treze de agosto de 2026 que o país registra vinte e quatro casos de sarampo neste ano, todos relacionados à importação do vírus. Três já foram encerrados sem risco de disseminação e vinte e um seguem em acompanhamento em São Paulo. O tamanho do problema fora daqui é outro: nas Américas, até treze de junho, eram vinte e dois mil trezentos e vinte e quatro casos confirmados em dezessete países e territórios, com trinta e oito óbitos. É esse cenário regional que sustenta o alerta, e não um surto nacional.

Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo, a recomendação foi ampliada

Identificada uma cadeia de transmissão ligada à importação nessas cidades, a orientação passou a ser vacinar, de forma indiscriminada, pessoas de seis meses a cinquenta e nove anos durante a campanha. É uma medida temporária, integrada à Campanha de Multivacinação, e para abastecer essa frente foram destinados três milhões e duzentas mil doses de tríplice viral a São Paulo. Fora dessas cidades, segue valendo o calendário de rotina.

A dose zero é adicional e não substitui nada

É o ponto que mais gera erro. O texto do Ministério é literal: para crianças de seis a onze meses, a vacina contra o sarampo é administrada como dose zero, adicional e que não substitui as doses previstas na rotina aos doze e aos quinze meses. Ou seja: o bebê vacinado aos oito meses não está com o calendário adiantado nem protegido em definitivo. Ele recebeu uma proteção extra, própria de uma faixa etária vulnerável durante um risco aumentado, e ainda precisa das duas doses de rotina no tempo certo. Quem sai da unidade achando que resolveu costuma não voltar.

O recado: Vale usar a data como oportunidade de conferência, não como prazo final. Na consulta, a pergunta útil não é se a criança tomou vacina, e sim quais doses constam da caderneta e em que idade cada uma foi aplicada. É nessa leitura que a dose zero aparece pelo que ela é, uma linha a mais, e não no lugar das que vêm depois.