Profilaxia de ferro na infância: o esquema atual da SBP e do Ministério da Saúde
A Sociedade Brasileira de Pediatria passou a adotar o esquema do Ministério da Saúde: acabou a divergência entre as duas referências, e a dose por quilo deu lugar a dose fixa em dois ciclos.
Assistir no YouTubeEsta edição em vídeo, com narraçãoNascido a termo e com bom peso: 10 a 12,5 mg por dia, em dois ciclos de 3 meses
Conforme a aula, para o lactente nascido a termo (≥ 37 semanas) e com peso ≥ 2,5 kg não se calcula mais miligrama por quilo: a dose é fixa, de 10 a 12,5 mg de ferro elementar por dia, feita em dois ciclos intermitentes de 3 meses, com pausa de cerca de 3 meses entre eles, distribuídos entre 6 e 24 meses de idade. O esquema básico apresentado: primeiro ciclo dos 6 aos 9 meses, pausa dos 9 aos 12, segundo ciclo dos 12 aos 15. E um ponto que costuma gerar dúvida: independe do tipo de aleitamento — leite materno ou fórmula infantil, começa aos 6 meses.
Leite de vaca antecipa para 4 meses. Prematuro ou baixo peso começa aos 30 dias
Segundo o professor, há duas exceções ao "começa aos 6 meses". A primeira é a criança exposta a leite de vaca — puro ou diluído: nesse caso a profilaxia começa aos 4 meses. A segunda é o prematuro ou o nascido de baixo peso, que começa com 30 dias de vida e aí sim com dose ajustada por mg/kg — quanto menor o peso ao nascer, maior a dose. Ele trata esse rodapé como o detalhe que decide a questão na prova; na clínica, é o que muda a data de início.
Some o 1 mg/kg/dia de 2021 — e o início aos 3 meses por fator de risco
A aula é explícita ao marcar o que caducou: o esquema da SBP de 2021, com 1 mg/kg/dia, foi substituído; e a possibilidade de iniciar aos 3 meses a criança a termo com fatores de risco para ferropenia não existe mais. Hoje são três portas: 30 dias (prematuro/baixo peso), 4 meses (exposição a leite de vaca) ou 6 meses (os demais). Outro ponto prático levantado: não se coleta hemograma, ferritina e PCR antes de indicar a profilaxia — esses exames entram na suspeita de anemia ferropriva, e a SBP sugere rastreio entre 9 e 12 meses para quem tem fator de risco.
O recado: A aula fecha com um raciocínio que evita investigação desnecessária: a anemia fisiológica do lactente. Nas primeiras semanas a hemoglobina cai e atinge o nadir por volta da 8ª semana, podendo chegar a 8 ou 9 — reflexo da queda transitória da produção medular e da troca das hemácias fetais. Para receber esse nome, a criança precisa estar assintomática, ganhando peso e com bom desenvolvimento. E o ponto que interessa: nesse quadro não adianta dar ferro. Conteúdo educativo — dose, início e investigação são decisão do pediatra que acompanha a criança. Compartilhe e marque aqui nos comentários quem vai gostar de ver essa informação.
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