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"Meu leite secou"? A crise transitória da lactação — quando acontece, quanto dura e o que a SBP orienta fazer

A Sociedade Brasileira de Pediatria chama esse momento de crise transitória da lactação, e ele tem hora para acontecer e tempo para passar. Quase metade das mulheres acredita produzir leite em quantidade insuficiente, e é essa percepção, não a produção, o principal fator de risco para o desmame precoce.

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A mama é fábrica, não é reservatório

O bebê cresceu, o estômago dele aumentou de capacidade e ele passou a pedir mamadas mais frequentes. Não é falta de leite: é um pedido de reajuste na taxa de produção, e a produção responde à demanda. Como a mama trabalha por encomenda e não por estoque, ela realmente fica mais macia e mais vazia nesse período, e o reflexo de ejeção pode ficar diminuído ou ausente. São exatamente os três sinais que a Sociedade Brasileira de Pediatria descreve, somados ao terceiro e mais pesado deles: a dúvida da mãe sobre a própria capacidade de nutrir.

Setenta e cinco por cento nas primeiras doze semanas. E passa em três dias, em média

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, essas crises são mais frequentes nas primeiras doze semanas de lactação, onde estão setenta e cinco por cento dos casos. Entre a décima terceira e a vigésima quarta semana, ocorrem outros vinte e três por cento. E o dado que muda o tamanho do problema: noventa e oito por cento dos casos duram menos de uma semana, com média de três dias. Saber que existe prazo é o que permite atravessar o episódio sem tomar uma decisão definitiva num dia difícil.

Mamar mais, e não menos. É contraintuitivo, e é esse o ponto

A orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria é amamentar com maior frequência, em livre demanda, e oferecer as duas mamas a cada mamada. Junto disso: beber mais líquidos, pedir ajuda com as tarefas de casa e confiar na própria habilidade de amamentar. E o que não fazer, nas palavras da própria entidade: resistir à tentação de oferecer fórmula infantil. Mesmo quando acalma o bebê naquele momento, o complemento reduz o tempo de mama, reduz o estímulo e, por consequência, reduz a produção — que era justamente o que se queria aumentar.

O recado: Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Ganho de peso abaixo do esperado, poucas fraldas molhadas, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou dor que impede a mamada não são casos de esperar passar: são casos de procurar o pediatra. O episódio do SBPCast foi lançado no Agosto Dourado, mês de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, e traz a Dra. Lélia Cardamone Gouvêa, secretária do Departamento Científico de Aleitamento Materno. Salve este post e mande para quem está amamentando agora.